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Arquivo da tag: autoconhecimento

A busca por si mesmo

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Com certeza, você já ouviu falar centenas de vezes sobre a importância do autoconhecimento; já recebeu diversas dicas e conselhos neste sentido. Ocorre que algumas pessoas ficam com a sensação que esta busca é um processo que ocorre em uma determinada altura ou período da vida, não é bem assim.

A consciência da busca por si mesmo não tem data precisa para começar, mas uma vez iniciada não cessará jamais. Digo consciência da busca, porque ela sempre nos acompanhou, ainda que de forma inconsciente, durante todas as fases anteriores ao início do despertar da consciência.

A busca por si mesmo é a experiência mais profunda, rica, ousada e emocionante à qual podemos nos submeter. Trata-se de um processo paradoxal, difícil, em muitos momentos um verdadeiro labirinto, em outros períodos, de “estrada” arejada, luminosa e arborizada.

Quando a consciência desperta para a busca de si mesmo, você fez a primeira grande descoberta: você se conhece pouco, bem menos do que acreditava conhecer…

Esta consciência pode causar muita dor em algumas pessoas, curiosidade em outras e um total redirecionamento de vida para aquelas que aproveitam melhor a oportunidade, independentemente de em qual grupo estejam.

O curioso desse processo é que você passa a ter uma sensação de que sabe cada vez menos à medida que sabe cada vez mais a respeito de si. É aí que nasce a verdadeira humildade (no melhor dos casos); passamos a nos reconhecer não como melhores ou piores que os outros, mas diferentes. Reconhecemos que não somos nem tão bons quanto gostaríamos, nem tão maus quanto nossas culpas nos fazem parecer. É um renascimento!

Haverá inevitáveis momentos de dor e decepção com a imagem anterior que fazíamos a nosso respeito. Ocorrerão momentos de frustração, desânimo e, não raro, depressão (para algumas pessoas). Todos estes fatos são excelentes desculpas nobres para uma atitude pobre: deixar de buscar se conhecer!

Não desista! Estas dores e sofrimentos mais intensos são momentos de “cura”, restabelecimento do equilíbrio e superação. Passadas as turbulências, aprendemos que para voar mais alto passamos várias vezes por ventos fortes, mas evidencia-se a nossa capacidade de superá-los!

Desistir de conhecer-se somente por constatar que você é diferente do que imaginava é uma grande tolice. Você gostaria de passar o resto da vida como um desconhecido de si mesmo? Acredite, não valeria a pena…

Não seja um estranho a si mesmo, estranhe-se para melhor se conhecer!

Não haverá autoestima verdadeira sem autoconhecimento em ação…

Conhecer a nós mesmos é nosso maior desafio, nossa maior viagem, nossa maior loucura e, ao mesmo tempo, nosso maior ato de sanidade.

Ao longo do caminho você se surpreenderá negativa e positivamente consigo, aproveite as surpresas positivas, aprenda e reoriente as negativas – tudo é uma questão de escolha!

As pessoas que você conhece que dizem não ter escolha, escolheram não possuí-las. Colocaram a si mesmas em cheque; sabotaram-se, esconderam-se e acabaram encurraladas em um canto escuro do que chamam destino…

Seja coautor e coautora do seu destino. Conheça a personagem principal: você!

Somente assim você poderá escolher novos caminhos para a sua própria história.  Tome coragem de conhecer-se, buscar-se e você será autor e autora de sua própria novela. Diga-se de passagem, a mais importante de todas, porque nesta você não é expectador passivo é ator/atriz vivente!

Todas as pessoas que se acham muito boas ou muito más, incríveis ou desprezíveis, maravilhosas ou fracassadas; todas elas se esqueceram de buscar se conhecer melhor, desistiram da busca por si mesmas!

Muitos serão os obstáculos, não desista, o espetáculo da sua vida só ocorre quando você conhece bem o seu papel…

Descubra-se – esta expressão significa retirar aquilo que oculta: as máscaras, os mecanismos de defesa, os disfarces, papéis que não são nossos, etc.

Descubra-se. O poeta Gonzaguinha tinha toda a razão:

“Eu fico

Com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz

Ah meu Deus eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita

E a vida

E a vida o que é diga lá, meu irmão

Ela é a batida de um coração

Ela é uma doce ilusão, ê ô

Mas e a vida

Ela é maravilha ou é sofrimento

Ela é alegria ou lamento

O que é, o que é, meu irmão

Há quem fale que a vida da gente é um nada no mundo

É uma gota é um tempo que nem dá um segundo

Há quem fale que é um divino mistério profundo

É o sopro do criador

Numa atitude repleta de amor

Você diz que é luta e prazer

Ele diz que a vida é viver

Ela diz que melhor é morrer pois amada não é

E o verbo é sofrer

Eu só sei que confio na moça

E na moça eu ponho a força da fé

Somos nós que fazemos a vida

Como der ou puder ou quiser

Sempre desejada

Por mais que esteja errada

Ninguém quer a morte

Só saúde e sorte

E a pergunta roda

E a cabeça agita

Eu fico

Com a pureza da resposta das crianças

É a vida, é bonita e é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz

Ah meu Deus eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz

Ah meu Deus eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita

Viver, e não ter a vergonha de ser feliz

Cantar e cantar e cantar

A beleza de ser um eterno aprendiz

Ah meu Deus eu sei, eu sei

Que a vida devia ser bem melhor e será

Mas isso não impede que eu repita

É bonita, é bonita e é bonita”

Feliz ano novo… e vida nova!

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Há um caminho por trás de cada porta

caminho-porta

As portas não se abrem sempre da mesma maneira. Os mesmos caminhos que nos levam ao êxito podem também ocasionar o fracasso. A substância que cura também pode matar. Tudo é uma questão da dose, do momento, da aplicação…

Veja o caso da repetição: repetir é uma das condições necessárias à aprendizagem.

Dizemos que alguém aprendeu determinada função, ação ou conhecimento, quando é capaz de repetir em situações idênticas ou semelhantes, a mesma sequência, raciocínio ou processo.

Porém, nossa capacidade de repetir nos conduz inúmeras vezes ao engano.

Aprendemos como abrir uma porta, generalizamos este processo e começamos a abrir todas as portas fechadas que encontrarmos… Até que um dia encontramos uma porta que, em várias tentativas, simplesmente, não abre…

Fomos enganados pelo hábito da repetição. Simplesmente, a maçaneta está ao contrário, ou o sentido da chave está invertido. O fato é que ficamos algum tempo paralisados, pensando porque a porta não abre se fizemos tudo direito?

Quando “congelamos” no processo de repetição, ocorreu apenas uma fase do processo de aprendizagem, mas não a mais importante delas: aquela que dá origem conhecimento.

O conhecimento nos permitirá utilizar respostas diferentes diante de novos desafios.

Foi assim que reagimos diante da porta:

As portas se abrem girando a maçaneta para a direita. Estou diante de uma porta. Giro a maçaneta para a direita e a porta não abre, logo… Não posso abrir essa porta.

Quando o mais correto seria reagirmos assim:

Uma grande quantidade de portas se abre girando a maçaneta para a direita.

Estou diante de uma porta. Giro a maçaneta para a direita e a porta não abre…

Bom… Que tal tentar girar para a esquerda?

Sim, posso abrir essa porta, basta compreender como está fechada, ao invés de ficar repetindo as maneiras como abri as portas anteriores.

É extremamente simples! Na vida, as portas não se abrem sempre da mesma maneira.

Com base neste raciocínio, pare e reflita: quais são as portas que não se abrem na sua vida?

  • Você está preso à solidão? Abra a porta para estabelecer relacionamentos.
  • Está preso no quarto escuro da mágoa? Abra as portas do perdão.
  • Se encontra confinado aos acontecimentos passados? Abra a porta do presente.
  • Sente-se aprisionado pelo seu potencial atual? Abra as portas do aprendizado de coisas novas.

Sim, eu sei, você vai me dizer que já tentou fazer isso várias vezes, mas as portas não se abriram, parecem estar emperradas… Mas, espere um pouco… Será que você girou a maçaneta para o lado certo?

O fato das coisas não darem certo em noventa e nove tentativas, não significa que não darão certo na centésima, especialmente se você tentar de uma forma diferente.

Não viva aprisionado às generalizações. Você não é uma estatística, é um ser de potencial ilimitado.

Não se esqueça também que você pode mudar de porta… As portas que não se abrem servem para duas coisas básicas em nossas vidas:

1)     Testar nossa perseverança, garra e inteligência em abri-las;

2)     Fazer-nos perceber que nosso caminho não passaria por aquela porta, que estávamos diante da porta errada.

Só os mais experientes e mais sábios descobrem rapidamente a diferença. A maioria das pessoas se engana: insiste na porta errada e desiste da porta certa. Preste atenção nisso!

A vida é um labirinto de portas. Para cada uma que você abrir, outra surgirá, e o que está por trás de cada uma delas, jamais será a mesma coisa. Nem você será o mesmo, dependendo das portas que escolher…

Entre todas estas portas, existe uma fundamental: aquela que só abre por dentro e dá acesso ao seu coração. É por esta porta que entram a Luz de Deus, o seu verdadeiro amor, os amigos.

E é por ela que você sai do passado, abandona suas mágoas, frustrações e limitações e parte na direção de novas possibilidades e oportunidades.

Esta porta que só abre por dentro também parece não abrir em determinadas situações: inverta o sentido da maçaneta! Porque, na vida, é perdoando que se é perdoado, é amando que se é amado, é dando que se recebe.

Abra as portas do coração e da alma e, em seguida, vá abrindo todas as portas significativas que a vida colocar à sua frente, menos aquelas que sua própria alma e coração disserem não ser para você!

Não se preocupe em saber a diferença agora. O tempo, a experiência e, sobretudo, um coração humilde lhe ensinarão a reconhecer a diferença.

Há uma porta esperando para ser aberta neste exato momento, só depende de você!

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Encontre o seu Shangri-la

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Estou escrevendo este artigo aos doze dias de Janeiro, o que coincide com o dia do meu aniversário. Escrever este artigo é para mim um presente. Considero todas as oportunidades de relacionamento com a vida e com as pessoas um imenso presente. Como hoje é meu aniversário, vou me permitir algumas “licenças poéticas” neste artigo.

Talvez hoje seja seu aniversário também, ou de alguém a quem você ama; uma amiga, um parente, um professor. Aniversários têm sempre um significado especial. Eles nos lembram a data em que fomos matriculados neste estágio da escola da vida e sugerem um balanço do que realizamos até o momento, como anda a nossa missão existencial, a tão aclamada lenda pessoal (me lembro de Joseph Campbell) que cada um de nós vive de forma particular e única.

Nesta datas, muitas pessoas se lembram de nós. Nesta data, nós também nos lembramos deles, de tudo o que vivemos em sua companhia e, inevitavelmente, de tudo mais o que vivemos, os fatos e pessoas que marcaram, os risos e as lágrimas que deram o tom da nossa trilha sonora existencial. Desfilam em nossa mente pessoas, situações, livros, fotos, músicas, filmes, tudo o que compôs o cenário de nossas vidas até o momento…

Quando eu era ainda uma criança, o primeiro filme que me impactou, ainda bem pequeno, foi “O Horizonte Perdido” (The Lost Horizon). Nas locadoras há duas versões deste filme, a que me refiro é a que possuía a trilha sonora de Burt Bacharach. Baseado no livro de James Hilton, este filme, mistura de realismo fantástico, musical, romance drama e filosofia, conta a história de um avião que cai nas montanhas durante uma tempestade de neve. Seus passageiros buscando abrigo e alimento são resgatados por uma equipe que os conduz a Shangri-la, um paradisíaco lugar entre as montanhas onde as pessoas vivem em harmonia, não envelhecem e desfrutam da paz proveniente da moderação e da cooperação. Tudo isto ocorre desde que não deixem Shangri-la, pois sair deste “éden” significa perder todos estes benefícios.

Visto hoje, a parte musical do filme parece ingênua e até infantil, mas os diálogos e a proposta mítico/metafórica de Shangri-la não perderão o significado jamais…

Existe um lugar a salvo das tempestades do mundo, um lugar onde existe paz, amor e harmonia, onde a moderação e a cooperação permitem a qualidade de vida. Um lugar onde a gente não envelhece. Neste lugar o amor de nossas vidas e nossa missão esperam por nós…

Quando o encontrarmos seremos felizes, desde que tenhamos a coragem de abandonar  “a velha civilização”  e tudo mais que ficou “para além das montanhas” sagradas de Shangri-la.

O paraíso tem lá suas condições…

Se você ainda não viu este filme, veja. Veja, preferencialmente, a versão com trilha de Burt Bacharach (a versão colorida por computador, a anterior permaneceu somente em preto e branco), você se beneficiará com os diálogos e com as reflexões que poderá fazer partindo deles…

Shangri-la existe!

Está dentro do seu coração.

Neste lugar, nenhuma tempestade poderá atingi-lo.

Em Shangri-la, todos os dias são dias do seu aniversário. Neste lugar “mágico” suas lembranças estarão vívidas e você experimentará a paz… Desde que, tendo encontrado este paraíso perdido dentro de si mesmo, você não tente voltar para as coisas que ficaram para trás.

Shangri-la é um lugar que está sempre à sua frente, quando encontrá-lo viva nele, não o deixe.

Se tentar partir e voltar para o “velho mundo” poderá passar o resto de seus dias buscando o caminho de volta…

Cada um de nós tem um sentido, um significado, uma interpretação para este metafórico lugar do realismo fantástico…

Cada um de nós tem o seu próprio Shangri-la.

Feliz aniversário!

Em Shangri-la sempre será o dia do seu aniversário…

Por que lá você renasce todos os dias…

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Excesso de proteção desprotege!

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De quê e de quem Michael tentou se proteger durante tanto tempo?

Compreender hipóteses para responder esta pergunta pode nos ajudar, salvaguardas as proporções e particularidades, a compreender nossas próprias tentativas de autoproteção.

Quando tentamos demasiadamente nos proteger estamos, via de regra, fugindo deliberadamente de algo.

A hipótese de que Michael Jackson sofresse da chamada síndrome de Peter Pan (síndrome proposta originariamente pelo Dr. Dan Kiley em seu livro lançado em 1983 intitulado: “A síndrome de Peter Pan: homens que nunca crescem”), pode ser explicada como uma tentativa de “proteger” a si mesmo do envelhecimento.

Talvez Michael estivesse, de fato, não querendo envelhecer por sentir não ter possuído uma infância autêntica. Nesta categoria de raciocínio, quantos milhões de pessoas do mundo se enquadrariam?

Sufocado desde pequeno pela indústria do entretenimento e sob relatadas hostilizações familiares, não é difícil supor e imaginar o quanto sua infância foi prejudicada, adiada e, talvez, nunca efetivamente vivenciada.

A construção do parque temático particular “Neverland” (Terra do Nunca) parece evidenciar (salvaguardadas as possibilidades de marketing envolvidas) esta vontade de resgatar a infância e brincar em um parque privativo (desejo que muitas crianças já manifestaram, ao menos em breves momentos).

O nome “Terra do Nunca” metaforicamente aponta para a realidade do lugar “a que nunca se chega”, “nunca existe”, “nunca perdura”. Talvez, simbolicamente, o próprio cantor estivesse manifestando uma “certeza velada” de que esta infância perdida nunca seria recuperada e, que somente sonhos fantasiosos e lendas como as de Peter Pan pudessem lhe oferecer conforto pelas vias da imaginação. Vale lembrar que ele ficou profundamente magoado ao ser excluído do papel principal no filme Peter Pan.

Análises psicológicas mais profundas dos possíveis transtornos psicológicos vivenciados pelo artista não cabem em um artigo desta natureza. Porém, a pergunta que nos propomos é útil: De quê e de quem Michael tentou se proteger todos estes anos?

Múltiplas respostas são possíveis. Ele poderia estar tentando se proteger da fama (embora não conseguindo viver sem ela), poderia estar tentando se proteger do inevitável encontro com a idade adulta, do inevitável envelhecimento e até mesmo da inevitável morte.

Michael poderia estar tentando se proteger do inevitável encontro consigo mesmo; hipótese que explicaria tantas cirurgias plásticas buscando encontrar uma imagem exterior que cancelasse a imagem interior que, de alguma forma, o incomodava.

Michael poderia estar tentando se proteger do passado, do presente e do futuro. Tudo ao mesmo tempo!

Um gênio, um artista brilhante, um dos maiores show-man de todos os tempos, mas um ser humano em conflitos profundos. Vivendo uma fuga da realidade tão intensa que o conduziu a todas as situações adversas e polêmicas da sua trajetória.

Não que o Homem seja apenas produto do meio, mas nenhum de nós acharia fácil ter vivido sob a pressão que Michael Jackson viveu em toda a sua vida.

O grande perigo na vida de uma celebridade é acreditar demais na imagem produzida e divulgada sobre si, perdendo a conexão com sua identidade. Isso não aconteceu somente com ele. Elvis Presley, apenas para citar um exemplo, também atravessou este abismo, Marilyn Monroe, também.

Michael cercou-se de todos os tipos de proteção possíveis e imagináveis:

1) Comprou parte dos direitos das músicas do Beatles, “protegendo” seus rendimentos;

2) Tentou “proteger” a majestade, unindo as histórias do rei do pop com o rei do rock, “casando” com a filha de Elvis Presley;

3) “Protegeu-se” dos ataques sobre sua conduta sexual e com crianças, “namorando mulheres” e tendo três filhos;

4) “Protegeu-se” das ações judiciais, fazendo, acordos milionários;

5) “Protegeu-se” dos fãs e de sua própria equipe com esquemas de segurança gigantescos;

6) “Protegeu-se” da família afastando-se dela;

7) “Protegeu-se” da dor a custa de poderosos analgésicos;

8) Protegeu-se de uma possível performance inferior à dos tempos áureos, postergando a volta aos palcos;

9) Protegeu-se da falência, leiloando bens e propondo uma nova mega turnê;

10) “Protegeu-se” de envelhecer partindo antes, de tanto se proteger…

Olhando a biografia de Michael Jackson (à qual muitos fatos novos, reais e fictícios, se somarão – já que a indústria do entretenimento não para, e se alimenta da vida e da morte de seus ídolos) nota-se um menino prodígio. Um gênio frágil, um artista capaz de levar ás lágrimas o gigante talento de Sammy Davis Jr. Um consumista extremado – consumiu de tudo e em tamanha quantidade que acabou consumindo a si mesmo.

Observando sua vida, encontramos uma criança criativa, atarefada, atormentada e pressionada por tudo e por todos, inclusive por si mesmo.

Michael viveu fugindo e se protegendo, criando, encantando, emocionando, ditando tendências, cometendo erros e acertos, sendo acusado, absolvido, caluniado, admirado.

Dormir na câmara hiperbárica (que retardava o envelhecimento) não o impediu de partir tão cedo. Excesso de proteção desprotege…

Fica aqui registrado o meu mais profundo respeito a este genial artista, cujos supostos erros não julgo, porque sequer conheço a verdade sobre os fatos. Conheço apenas os relatos, versões e notícias veiculadas. E mesmo se conhecesse os fatos, ainda assim, eu não o julgaria.

Quem de nós pode assegurar quais seriam nossas reações vivendo uma vida tão atípica quanto a destas mega celebridades colocadas na vitrine do mundo, desde a infância, frente a um público que quer o espetáculo, seja ele qual for?

De quê e de quem Michael tentou se proteger todos estes anos?

Ele partiu cedo, deixou seu legado, mas provavelmente jamais tenha encontrado o que buscava…

E você, o que vem buscando? De quê e de quem você vem fugindo nestas tentativas infinitas de se proteger?

Acabamos todos por encontrar o que tememos e descobrindo que excesso de proteção desprotege!

Comece a viver, abandone os mitos criados por você mesmo e pelos outros a seu respeito.

“Desproteja-se”, ao menos um pouco, para viver a vida real. Abandonar a infância ou o comportamento adolescente dói. Mas dói mais tentar manter-se neles.

Crescer não é uma opção, é uma condição.

Aceite-a no melhor tempo: agora!

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Diante do inevitável

inevitavel

São duas as missões existenciais prioritárias: autoconhecimento e aceitação. Delas dependem não somente as nossas chances de felicidade, passando pela elevação do nosso nível de consciência, mas também as nossas chances de contribuirmos com a felicidade das outras pessoas com as quais convivemos.

Relações de causa e efeito afetam todas as áreas da nossa vida, e elas não são simples. Não é que para cada causa haja um efeito e vice-versa. Múltiplas causas podem determinar um único efeito e uma única causa pode implicar em milhares de efeitos.

A vida não é tão simples como as equações de Física que aprendemos para o vestibular. Na vida, todas as coisas estão ocorrendo ao mesmo tempo e não podemos desconsiderar o efeito de todas as forças atuantes para “simplificar o cálculo”.

Afetamos a tudo e por tudo somos, de alguma forma, afetados.

Diante dos desafios de autoconhecimento e aceitação, o mais difícil envolve enfrentar o inevitável.

Há decisões inevitáveis, atitudes inevitáveis, problemas inevitáveis e perdas inevitáveis.

Sem que haja redundância é preciso lembrar que algumas coisas são inevitáveis porque não podemos evitá-las, ou seja, nossos esforços não podem mudá-las, não temos nenhum controle sobre elas.

Por isso, o conhecimento da prece da serenidade é de tamanha importância. Sua origem é atribuída ao teólogo Reinhold Niebuhr (1892 – 1971) e enunciava:

“Senhor, concedei-nos a serenidade necessária para aceitar as coisas que não podemos modificar; a coragem para modificar aquelas que podemos; e a sabedoria para distinguirmos umas das outras.”

Há coisas sobre as quais temos controle (podemos agir diretamente), outras sobre as quais temos influência (podemos agir indiretamente) e outras sobre as quais não temos nem controle, nem influência: para com estas é necessário exercer a aceitação.

A aceitação é um estado de resignação interior frente ao inevitável, e só será plena quando excluirmos de dentro de nós qualquer possibilidade de revolta.

Diante de situações inevitáveis, talvez seja impossível evitar a tristeza, mas é possível evitar a mágoa. Talvez não possamos evitar a indignação, mas podemos evitar o ódio e o revide.

A prece da serenidade nos convida à ação consciente e aceitação consciente, compreendendo que nos casos em não podemos mudar as circunstâncias da vida, ainda assim, podemos mudar nossa maneira de reagir a elas.

A dor de perdas tão tristes como estas dos acidentes aéreos que temos presenciado é inevitável. A todos nós, nestas situações, resta a aceitação e a resignação, duas forças gigantes da alma.

Na vida, o único caminho é para frente. E nestes momentos, é preciso muita força, coragem e apoio.

Diante do inevitável, se você crê em Deus, não atribua a Ele a responsabilidade pelo ocorrido. A responsabilidade é sempre da humanidade. Nós colocamos em ação a lei de causa e efeito muitas vezes sem compreender de onde vêm as causas e, tantas outras, sem saber quais serão os efeitos. Seres humanos também erram por irresponsabilidade e negligência.

Se você crê em Deus, não abale sua fé diante do inevitável enfrentamento dos fatos sobre os quais não tem nenhum controle ou influência. Busque forças para não focar indefinidamente nas perdas. Agradeça pelo tempo e oportunidade que lhe foram concedidas antes da separação. Não foque os momentos que não terá mais, preencha a memória, tanto quanto possível, de gratidão pelos momentos vividos.

A morte é inevitável e sempre traz uma “desculpa” (o modo pelo qual a vida se encerra). As razões por trás desta despedida dependem de uma extensa rede de relacionamentos e inter-relacionamentos, de causas e efeitos colocados em movimento. A nós resta o desafio de buscar o autoconhecimento para chegarmos ao nível de consciência necessário para a aceitação e resignação diante daquilo que não podemos evitar.

Se você não crê em Deus, igualmente não se torne amargo pelo confronto com as situações inexoráveis da condição humana; aceite e siga, ainda há muito por fazer, descobrir e compreender.

O autoconhecimento e a aceitação são duas missões existenciais prioritárias que cada um de nós, independentemente de suas crenças e valores, precisa realizar, progressivamente, para encontrar o equilíbrio na vida.

Que a nossa humildade e capacidade de amar nos direcionem sempre rumo ao autoconhecimento e a aceitação necessária ao desafio de viver e encontrar momentos e situações inevitáveis pelo caminho. A tarefa está longe de ser fácil, mas é, também, inevitável.

Escolha ser forte e adquira condições de reagir com paz e resignação em todas as situações da vida, afinal esta é a única maneira de seguir pelo único caminho que possuímos: para frente.

Siga!

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

A imagem refletida no espelho

espelho

Em um inesperado momento de sua vida, você se depara com uma imagem refletida no espelho da existência. Olhamos, olhamos novamente, voltamos a olhar e, após grande hesitação, reconhecemos: trata-se de nós mesmos!

Trata-se de um “nós” refletido em uma imagem que desconhecíamos ou, talvez, insistíamos em não reconhecer. Somos incrivelmente hábeis para fugir de nós mesmos e tremendamente covardes para nos buscar por trás das aparências.

Mas esta imagem, cedo ou tarde, aparece e com ela vem uma dor forte e intensa: a dor de descobrirmo-nos como somos e não como gostamos de pensar que somos.

Este “outro” no espelho da existência, parece tão diferente de nós. Não que seja mais feliz ou mais triste… é diferente, muito diferente.

Esta imagem, às vezes é trazida pela sinceridade de um verdadeiro amigo (aquele que diz o que precisamos ouvir); às vezes é trazida por uma dor de amor (onde quem amamos, desiludido por alguma situação, desabafa o que sempre pensou e nunca revelou a nosso respeito), outras vezes é trazida pela reflexão, psicoterapia ou busca espiritual.

Corajosos, nos achamos covardes.

Fortes, nos reconhecemos fracos.

Altruístas, nos surpreendemos egoístas.

Vencedores, nos descobrimos com inveja.

Humildes, visualizamos nossa vaidade.

Pacíficos, encontramos a raiva.

Religiosos, nos vemos sem fé.

Bons, nos percebemos ainda maus.

Belos, nos vemos distorcidos.

Distorcidos pelas lentes da realidade!? Que tipo de distorção é esta que nos mostra como somos?

Esta imagem choca e nos faz parecer monstros aos nossos próprios olhos. Caem as escamas que impediam a nossa visão… E a luz fere os olhos acostumados à escuridão.

Vivemos muito tempo no escuro, onde podemos dizer coisas sem olhar nos olhos e acertar os cabelos sem, de fato, olhar no espelho.

O espelho do outro, o espelho de quem nos ama, o espelho de quem amamos, o espelho do amigo, da amiga, do pai, mãe, irmão, professora…

O espelho do outro revela uma imagem que é nossa. Por que tardamos tanto em ver a nós mesmos como somos?

Não, não é somente por medo e covardia, é também por falta de maturidade. Este dom que o tempo traz aos que o buscam verdadeiramente. A maturidade não é obra do tempo, é obra de um coração sincero que viaja no tempo!

Não somos monstros! Não somos santos! Somos homens e mulheres em busca de nós mesmos.

Em um determinado momento, em um inesperado momento de sua vida, uma imagem aparece em “um espelho”. Não a trate como um desconhecido. Trata-se do seu próximo mais próximo, aquele a quem devemos amar primeiramente no exercício de amar ao próximo, alguns milímetros, metros ou quilômetros, mais distantes.

Este desconhecido somos nós mesmos. A imagem no “espelho” pede ajuda! Ela precisa ser reconhecida e auxiliada, não consegue respirar, sufocada por aquilo que fingimos ser.

Não somos santos nem monstros. Somos seres humanos, que, de tão humanos, não nos reconhecemos disfarçados por trás do herói que gostaríamos de ser. Heróis são pessoas comuns que encontram a si mesmas! Por isso são fortes, porque não estão divididas entre o que são e o que pensam ser. Simplesmente vivem como são: autênticas.

A dor da autenticidade é o preço da descoberta do caminho que leva à felicidade.

Seja feliz! Viva a autenticidade. Vai doer, todo nascimento implica algum tipo de dor, mas a vida celebrará com sorrisos o que as lágrimas da descoberta evidenciam, ao lavar olhos, como que eliminando as imagens passadas.

Na ausência da autenticidade não há vida, somente a morte do nosso verdadeiro “eu”.

Monstros não refletem sobre seus sentimentos, erros e acertos. Tornar-se “santo” é uma meta, não um ponto de partida. Todo “santo” teve um passado e todo “pecador” terá um futuro!

Ninguém vencerá o mundo sem conhecer o mundo, ninguém transcende a matéria sem ter sido “matéria”. Nossos erros são apenas virtudes que ainda não aprenderam a direção…

Ou, por acaso, você nunca parou para pensar que um teimoso pode tornar-se persistente? O teimoso é um indivíduo egocêntrico que está mais preocupado em ter razão que em encontrar a razão. O teimoso caminha em círculos. Já o persistente, possui metas mais claras, aceita opiniões e toda a ajuda que o auxilie a chegar lá. O persistente aprendeu a caminhar em linha reta, na direção de seus objetivos e metas. Enquanto persistência é uma virtude, teimosia é um defeito. Quando damos uma direção à teimosia e nos libertamos das ilusões das nossas egotrips, aprendemos a ser persistentes.

Faça de seus erros, razões para acertar. Seres humanos não aprendem com seus erros, aprendem consertando seus erros…

Neste exato momento, há uma imagem refletida no “espelho” deste texto. Não a trate como um desconhecido…

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.