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A Saudade

saudade

Saudade, uma das mais belas palavras da língua portuguesa e um dos mais intensos sentimentos que podemos experimentar na existência.

A saudade está diretamente ligada ao amor e à paixão, independente de pelo que ou por quem nos apaixonamos, o que, ou quem amamos: um ser, uma situação, uma fase de nossas vidas…

A saudade, quando associada a uma pessoa é um tipo de dor, um tipo de ausência, um vazio imenso. Chega a ser tão intensa que pode ser sentida fisicamente como uma dor diferente de todas as outras, uma dor que ironicamente nos faz bem, porque de alguma maneira nos faz sentir conectados a quem amamos. É como se a pessoa estivesse muito próxima, mas não pudéssemos tocá-la…

Por isso, costumo definir a saudade como a presença intensa e constante de alguém ausente!

Saudade é um profundo sentimento de conexão, um elo invisível de ligação que nos mantém, onde quer que estejamos, sempre “próximos” de quem lhe deu origem.

Quando observarmos a saudade no âmbito das pessoas, somos convidados a perceber que a unicidade de cada ser humano, sua energia, seu carisma, suas particularidades, expostos na sua maneira de pensar e agir, impregnam o ambiente e as nossas percepções. A saudade é uma espécie de fome e sede do magnetismo desta personalidade que nos faz tanta falta.

Sentimos falta do tom de voz, da maneira de falar, de suas atitudes mais simples e, no caso do amor, de tudo, absolutamente tudo que atinge os nossos cinco sentidos. Sentimos falta do cheiro da pele da pessoa amada, da sua respiração, da expressão dos seus olhos, de seu sorriso, do seu toque… Sentimos falta até do que ultrapassa os cinco sentidos: da presença espiritual desta pessoa, do contato com sua alma. Preferimos ter a pessoa perto de nós, mesmo na ausência de contato direto com ela. O simples fato desta pessoa existir e estar a nosso lado nos basta! A saudade é a maior expressão do amor verdadeiro no âmbito das relações afetivas.

Parafraseando o poeta Coelho Rangel, podemos dizer que saudade é o anseio do rio que chega ao mar; e sem saber de onde veio, tem vontade de voltar.

Este pensamento de Coelho Rangel deixa claro que saudade é o desejo intenso de reunir o que já esteve unido e, mesmo tendo se separado não perdeu a unidade. É o desejo de unir fisicamente o que nunca esteve separado em espírito. A saudade, sem dúvida é a memória do coração!

A saudade amorosa é bem definida nestes versos de Vinícius de Moraes:

“Como dizia o poeta

Quem já passou por essa vida e não viveu

Pode ser mais, mas sabe menos do que eu

Porque a vida só se dá pra quem se deu

Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu

Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não

Não há mal pior do que a descrença

Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair

Pra que somar se a gente pode dividir

Eu francamente já não quero nem saber

De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão

Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não”

Mas a saudade não está presente apenas no amor e na paixão dos amantes, ela é também uma ponte entre o presente e o passado…

Não sentimos saudade apenas das outras pessoas, muitas vezes sentimos saudades de nós mesmos, da pessoa que fomos antes que algum acontecimento, decepção ou frustração nos transformasse em alguém diferente, às vezes irreconhecível. A saudade é um caminho onde as lembranças buscam encontrar as marcas do que fomos…

Quando sofremos uma dor intensa, seja de que origem for, na tentativa de fugir da dor, usamos nossa criatividade para elaborar um outro “eu”, um “eu” que teoricamente, por ser diferente, por ser outro, não precise carregar aquela dor. Passamos a agir como se fossemos uma outra pessoa, mas na verdade, na intimidade do ser, sabemos que não somos e, passamos a sentir saudades de quem verdadeiramente somos. Mas voltar a ser quem fomos implica enfrentar nossas dores deixadas para trás na velocidade de nossas fugas. Esta saudade dói e dói muito, corresponde à vontade de fazer um caminho de volta para um lugar (nós mesmos) especial e desejado, mas o caminho não é prazeroso, a estrada não é plana e a viagem não é confortável.

A saudade de si mesmo é talvez a mais dolorosa de todas, porque estar na praia sem poder entrar no mar é sem dúvida o lugar mais distante que podemos estar do próprio mar.

Acontecimentos marcantes, alegrias intensas, fases e idades anteriores, tudo isso possui magia e poesia observadas da ponte da saudade. O tempo e a distância evidenciam e valorizam as coisas mais simples. Assim como a fome é um excelente tempero, a saudade tempera nossas vidas!

Do presente, olhamos o passado com saudade, saudade que não sentíamos àquela época, ou porque não percebíamos o seu valor, ou porque agora estamos superestimando este valor comparado a um momento atual de menor significado.

A saudade é a ponte entre o presente e o passado. Ela nos permite visitar o passado, reviver cenas e emoções, mas não nos permite permanecer no passado. Sempre que cruzarmos a ponte teremos que voltar. Tentar permanecer vivendo no passado causa uma ruptura grave e de sérias consequências no presente. No futuro teremos muitas saudades do presente, então, é melhor vivê-lo plena e intensamente, porque pior do que a saudade do que vivemos é o arrependimento do que poderíamos ter vivido e não vivemos…

Podemos medir nossa vida pela natureza e intensidade das nossas saudades. E, para estarmos seguros de que a vida está valendo a pena devemos observar se o momento presente será digno de saudades no próximo segundo!

Lembrando os versos clássicos e maduros de Francisco Octaviano em “Ilusões da Vida”:

 “Quem passou pela vida em brancas nuvens

E em plácido repouso adormeceu

[...]

Quem passou pela vida e não sofreu

Foi espectro do homem, não foi homem.

Só passou pela vida, não viveu.”

Recordar é viver, mas viver é melhor! Viva intensamente o momento presente e deixe que a saudade seja “apenas uma foto” de um filme onde você é o protagonista. Um filme que ainda lhe reserva as melhores cenas da história, esta mesma história cuja saudade conta os capítulos anteriores!

Que o making of da sua vida seja tão interessante quanto o filme pronto e que as lágrimas da saudade não borrem porque você escolheu viver sem maquiagem… A personagem é você, o resto são detalhes, detalhes difíceis de esquecer porque pertencem a você!

A saudade não deve ser uma algema a te aprisionar ao que já passou, mas uma janela de onde você pode observar que, da mesma forma em que as dificuldades passaram e a beleza de cada momento permaneceu, a vida continuará valendo a pena de agora em diante e oferecendo oportunidades de sentir novas e melhores saudades a cada instante.

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Não acredite no fracasso

fracasso

A vida não é feita somente de vitórias. E os fracassos não são tão ruins, basta não dar a eles mais importância do que possuem!

Se você estiver vivendo plenamente (viver plenamente inclui assumir riscos responsáveis) é bem provável que você fracasse algumas vezes. Isso é normal e positivo. Sim, é normal, pois fracassar é parte do processo de aprendizagem. Thomas Edison fez inúmeras tentativas em que fracassou até conseguir inventar a lâmpada elétrica. Perguntado sobre suas falhas, ele respondeu: “Apenas descobri inúmeros caminhos que não serviam ao meu propósito, mas sem percorrê-los não chegaria ao meu êxito!”.

A vitória é uma tentativa que deu certo, as demais foram um ensaio necessário. Quem não ensaia, não estréia!

Fracassar é também positivo porque lhe impede de contrair a doentia ideia de infalibilidade. Todas as pessoas que não querem falhar nunca, além de falharem com mais frequência, sentirão dores muito mais profundas a cada falha.

A maior parte dos fracassos advém de tentativas de acerto e, portanto, são nobres, não pobres!

A pobreza não reside no fracasso, mas em considerá-lo definitivo. Um fracasso somente será definitivo se você desistir de tentar novamente. Então a conclusão é simples – na vida, nunca desista do que vale realmente a pena, só desista daquilo que não vale. A sabedoria está em saber a diferença.

E esta diferença é facilmente percebida com o passar do tempo.

Se você desistir do que vale a pena encontrará fracasso e tristeza duradouros. Se você persistir no que vale a pena, encontrará sucesso e felicidade verdadeiros.

E ainda, se você insistir no que não vale a pena, encontrará sofrimento, mas se desistir encontrará alívio.

Não fuja do fracasso, apenas dedique-se ao sucesso! Na vida, fugir é uma ilusão, suas questões interiores irão com você aonde você for.

Se você fracassou, aproveite a lição contida no fracasso: a oportunidade de aprender e recomeçar com mais experiência!

O fracasso não é uma condenação, é uma parada para reflexão. Os aviadores se preparam para arremeter (subir rapidamente) em todo e qualquer pouso. Podemos dizer “brincando” que um pouso é uma arremetida que “fracassou”…

Esteja preparado para arremeter sempre que perceber que não vai pousar com sucesso…

Levante! Tente outra vez. Tente diferente. Tente com mais intensidade. Tente o que ainda não tentou!

Todas as pessoas de sucesso devem muito mais a seus fracassos que a qualquer outro estímulo em suas vidas!

Não se coloque na posição de vítima rotulando-se de fracassado. A maioria dos cantores de sucesso que você admira, receberam dezenas de “portas na cara” antes que você pudesse ouvi-los no rádio ou na TV. Muitos dos maiores escritores do mundo tiveram seus originais  rejeitados por editores que não compreenderam o conteúdo que tinham nas mãos.

Muitas vezes o fracasso de alguém é apenas a incapacidade dos outros de perceberem uma ideia, um comportamento, um talento ou um valor muito à frente deles mesmos.

Se você estiver à frente de seus amigos, de sua família, de sua empresa e/ou do seu tempo, poderá ser visto como um fracassado quando, na verdade, eles é que fracassaram em compreender você!

O fracasso não existe… A não ser para aqueles que se culpam por terem tentando, sem obter êxito e, numa atitude covarde, desistem de tentar outra vez!

Não devemos ser reféns do medo, mas se você tiver que cultivar algum, cultive o medo de ser covarde! Seja corajoso! Corajoso não é que não sente medo. É quem avança apesar do medo.

Fracasso significa apenas: hora de reavaliar e redesenhar o caminho.

O fracasso é algo natural. Se você nunca fracassou preocupe-se! Você deve estar tentando pouco e inovado quase nada.

Se você fracassou muitas vezes, por razões muito semelhantes, observe se há um fator comum a ser corrigido nos fracassos recorrentes, algo que você não ainda aprendeu das vezes anteriores.

Se você aprendeu e aprende muito com seus fracassos, bem vindo e bem vinda ao seleto grupo de homens e mulheres que fazem a diferença no mundo!

Assim como não existe um romance sem lágrimas, a vida também não é feita só de vitórias, se fosse, não haveria mérito algum.

Enquanto você ensaia para o sucesso deixe que os fracos acreditem que fracassaram, mas a todos que você encontrar pelo caminho, seja generoso e explique:

- Acorde! Se você chegou até aqui, pode ir mais longe! – Levante-se e siga!

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.