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A Saudade

saudade

Saudade, uma das mais belas palavras da língua portuguesa e um dos mais intensos sentimentos que podemos experimentar na existência.

A saudade está diretamente ligada ao amor e à paixão, independente de pelo que ou por quem nos apaixonamos, o que, ou quem amamos: um ser, uma situação, uma fase de nossas vidas…

A saudade, quando associada a uma pessoa é um tipo de dor, um tipo de ausência, um vazio imenso. Chega a ser tão intensa que pode ser sentida fisicamente como uma dor diferente de todas as outras, uma dor que ironicamente nos faz bem, porque de alguma maneira nos faz sentir conectados a quem amamos. É como se a pessoa estivesse muito próxima, mas não pudéssemos tocá-la…

Por isso, costumo definir a saudade como a presença intensa e constante de alguém ausente!

Saudade é um profundo sentimento de conexão, um elo invisível de ligação que nos mantém, onde quer que estejamos, sempre “próximos” de quem lhe deu origem.

Quando observarmos a saudade no âmbito das pessoas, somos convidados a perceber que a unicidade de cada ser humano, sua energia, seu carisma, suas particularidades, expostos na sua maneira de pensar e agir, impregnam o ambiente e as nossas percepções. A saudade é uma espécie de fome e sede do magnetismo desta personalidade que nos faz tanta falta.

Sentimos falta do tom de voz, da maneira de falar, de suas atitudes mais simples e, no caso do amor, de tudo, absolutamente tudo que atinge os nossos cinco sentidos. Sentimos falta do cheiro da pele da pessoa amada, da sua respiração, da expressão dos seus olhos, de seu sorriso, do seu toque… Sentimos falta até do que ultrapassa os cinco sentidos: da presença espiritual desta pessoa, do contato com sua alma. Preferimos ter a pessoa perto de nós, mesmo na ausência de contato direto com ela. O simples fato desta pessoa existir e estar a nosso lado nos basta! A saudade é a maior expressão do amor verdadeiro no âmbito das relações afetivas.

Parafraseando o poeta Coelho Rangel, podemos dizer que saudade é o anseio do rio que chega ao mar; e sem saber de onde veio, tem vontade de voltar.

Este pensamento de Coelho Rangel deixa claro que saudade é o desejo intenso de reunir o que já esteve unido e, mesmo tendo se separado não perdeu a unidade. É o desejo de unir fisicamente o que nunca esteve separado em espírito. A saudade, sem dúvida é a memória do coração!

A saudade amorosa é bem definida nestes versos de Vinícius de Moraes:

“Como dizia o poeta

Quem já passou por essa vida e não viveu

Pode ser mais, mas sabe menos do que eu

Porque a vida só se dá pra quem se deu

Pra quem amou, pra quem chorou, pra quem sofreu

Ah, quem nunca curtiu uma paixão nunca vai ter nada, não

Não há mal pior do que a descrença

Mesmo o amor que não compensa é melhor que a solidão

Abre os teus braços, meu irmão, deixa cair

Pra que somar se a gente pode dividir

Eu francamente já não quero nem saber

De quem não vai porque tem medo de sofrer

Ai de quem não rasga o coração, esse não vai ter perdão

Quem nunca curtiu uma paixão, nunca vai ter nada, não”

Mas a saudade não está presente apenas no amor e na paixão dos amantes, ela é também uma ponte entre o presente e o passado…

Não sentimos saudade apenas das outras pessoas, muitas vezes sentimos saudades de nós mesmos, da pessoa que fomos antes que algum acontecimento, decepção ou frustração nos transformasse em alguém diferente, às vezes irreconhecível. A saudade é um caminho onde as lembranças buscam encontrar as marcas do que fomos…

Quando sofremos uma dor intensa, seja de que origem for, na tentativa de fugir da dor, usamos nossa criatividade para elaborar um outro “eu”, um “eu” que teoricamente, por ser diferente, por ser outro, não precise carregar aquela dor. Passamos a agir como se fossemos uma outra pessoa, mas na verdade, na intimidade do ser, sabemos que não somos e, passamos a sentir saudades de quem verdadeiramente somos. Mas voltar a ser quem fomos implica enfrentar nossas dores deixadas para trás na velocidade de nossas fugas. Esta saudade dói e dói muito, corresponde à vontade de fazer um caminho de volta para um lugar (nós mesmos) especial e desejado, mas o caminho não é prazeroso, a estrada não é plana e a viagem não é confortável.

A saudade de si mesmo é talvez a mais dolorosa de todas, porque estar na praia sem poder entrar no mar é sem dúvida o lugar mais distante que podemos estar do próprio mar.

Acontecimentos marcantes, alegrias intensas, fases e idades anteriores, tudo isso possui magia e poesia observadas da ponte da saudade. O tempo e a distância evidenciam e valorizam as coisas mais simples. Assim como a fome é um excelente tempero, a saudade tempera nossas vidas!

Do presente, olhamos o passado com saudade, saudade que não sentíamos àquela época, ou porque não percebíamos o seu valor, ou porque agora estamos superestimando este valor comparado a um momento atual de menor significado.

A saudade é a ponte entre o presente e o passado. Ela nos permite visitar o passado, reviver cenas e emoções, mas não nos permite permanecer no passado. Sempre que cruzarmos a ponte teremos que voltar. Tentar permanecer vivendo no passado causa uma ruptura grave e de sérias consequências no presente. No futuro teremos muitas saudades do presente, então, é melhor vivê-lo plena e intensamente, porque pior do que a saudade do que vivemos é o arrependimento do que poderíamos ter vivido e não vivemos…

Podemos medir nossa vida pela natureza e intensidade das nossas saudades. E, para estarmos seguros de que a vida está valendo a pena devemos observar se o momento presente será digno de saudades no próximo segundo!

Lembrando os versos clássicos e maduros de Francisco Octaviano em “Ilusões da Vida”:

 “Quem passou pela vida em brancas nuvens

E em plácido repouso adormeceu

[...]

Quem passou pela vida e não sofreu

Foi espectro do homem, não foi homem.

Só passou pela vida, não viveu.”

Recordar é viver, mas viver é melhor! Viva intensamente o momento presente e deixe que a saudade seja “apenas uma foto” de um filme onde você é o protagonista. Um filme que ainda lhe reserva as melhores cenas da história, esta mesma história cuja saudade conta os capítulos anteriores!

Que o making of da sua vida seja tão interessante quanto o filme pronto e que as lágrimas da saudade não borrem porque você escolheu viver sem maquiagem… A personagem é você, o resto são detalhes, detalhes difíceis de esquecer porque pertencem a você!

A saudade não deve ser uma algema a te aprisionar ao que já passou, mas uma janela de onde você pode observar que, da mesma forma em que as dificuldades passaram e a beleza de cada momento permaneceu, a vida continuará valendo a pena de agora em diante e oferecendo oportunidades de sentir novas e melhores saudades a cada instante.

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Vampiros Emocionais

vampiro

Nós, que nascemos para viver em sociedade, convivemos hoje com um tipo de sociedade muito diferente daquela em que nossos ancestrais exercitavam a conviviabilidade.

Claro que sempre houve competição no mundo, mas também é evidente que sua proporção, intensidade e insanidade cresceram em função do tempo, razão pela qual o individualismo é hoje muito mais frequente que em épocas não tão remotas da própria sociedade brasileira.

Isso explica o sucesso das redes sociais na internet: as pessoas se sentem solitárias, sem tempo, e às vezes sem disposição para o convívio real, mas continuam com a necessidade humana básica de estabelecerem laços e estarem “conectadas”. A tecnologia une as pessoas, não da mesma maneira que as relações não-virtuais, mas une. Deve ser encarada como complementar, não suplementar. Deve aproximar as pessoas e não apenas “criar” conveniência para um encasulamento. A necessidade de dividir fotos, trechos de livros, filmes e músicas com as outras pessoas da comunidade virtual expressa um desejo de identidade em um “mundo sem rosto”…

Este excesso de competição, individualismo e falta crônica de tempo livre, explicam ao menos em parte, muitos dos fenômenos atuais, como por exemplo o sucesso de filmes como Crepúsculo…

Por que o filme estrelado pelo ator inglês Robert Pattinson e pela atriz americana Kristen Jaymes Stewart cativa tanto o público? Ou melhor, porque as mulheres saem tão emocionadas do cinema ao ponto de quererem “um vampiro para chamar de seu”?

O tema dá para uma tese de mestrado, mas vamos lançar apenas algumas reflexões…

Em primeiro lugar o tema do filme não é os vampiros, isso é a fachada, o tema é o amor, afinal não se trata de um vampiro qualquer, mas de um vampiro-herói, que cuida, protege e ama. Ele se importa. E isso faz toda a diferença!

É isso que especialmente comove o público feminino. Mulheres, por mais fortes e decididas que sejam, desejam alguém que as proteja e se importe verdadeiramente com elas.

A segunda questão envolve os aspectos psicológicos (arquétipos) contidos nos vampiros: a sexualidade, a tensão e o risco da paixão extrema e perigosa, onde se expõe o próprio “pescoço” e se entrega o próprio “sangue”, uma paixão que evidencia seus aspectos patológicos de vida e morte. Os vampiros são tratados na literatura e no cinema como profundamente sedutores, misteriosos e, à sua maneira, encantadores, pelo menos para quem se identifica…

Na literatura e nos filmes sempre encontramos as pessoas que querem ser mordidas pelos vampiros, querem viver esta intensa emoção de vida e morte, desejam viver a sedução e penetrar no mundo do mistério e, não raro, da fusão com o outro (desejo interior, embora perigoso, de todos os amantes).

O vampiro de Crepúsculo parece-se mais com o doce vampiro de Rita Lee.

No fundo, as pessoas andam muito carentes, e se encontram alguém que se importe e pareça as proteger, se entregam de maneira irracional e inconsequente.

Lembre-se que fora das telas existem vampiros reais, vampiros emocionais que não amam, não se apaixonam, não protegem de verdade e estão apenas interessados no que os favoreça. Para estas pessoas que vampirizam as amizades, os ambientes de trabalho, as relações afetivas, você não passa de um suculento “pescoço” (objeto de desejo) e de “sangue fresquinho” (nova conquista). Acredite, este tipo de “vampiro” é muito mais comum do que você possa imaginar, assim como é incrivelmente comum o número de pessoas que se deixam “vampirizar” porque em um mundo tão distante e carente. Ter um vampiro para chamar de seu, parece uma opção válida, mas não é…

Vampiros poéticos como Edward são pouco prováveis na vida real. Vampiros reais são sempre vampiros predadores e, assim como os escorpiões, à primeira oportunidade, manifestam sua essência e seus reais interesses. Como dizia nossa avó: mais vale estar só que mal acompanhado. Não saia por aí expondo sua jugular a qualquer um que se ofereça a cuidar de você!

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

5 dicas simples para o dia a dia

dicas

Passamos tanto tempo complicando as coisas na vida, que nos esquecemos como é fácil simplificá-las.

Nada substitui a paz e o bem-estar de uma vida simples. Considere que quanto mais coisas você possui, mais tempo precisará dedicar a cuidar delas e mantê-las.

Assim a primeira dica simples para o dia a dia é:

1 – Abandone aquilo que não faz sentido, não faz diferença, não faz falta e não faz bem.

É preciso coragem, disposição, humildade e muita força de vontade para abandonar as coisas. Nós nos apegamos demais!

Apego não faz bem à vida, a verdadeira riqueza consiste em aprender a ter sem possuir…

Considere as coisas e situações como transitórias; acostume-se a abandonar as coisas, partindo sempre daquelas que você já percebe como menos necessárias. Comece limpando as gavetas, separando no guarda-roupa as roupas que não tem usado nos últimos meses. Parece incrível, mas organizar gavetas e guarda-roupas ajuda a organizar as ideias e, em consequência, a própria vida. Quando você coloca o princípio da organização em movimento, tudo melhora. Felicidade, paz e bagunça não combinam.

Lembre-se de abandonar aquilo que não faz bem. Isso inclui certos tipos de conversas, leituras, amizades, hábitos.

2 – Fique somente com o que agrega e eleva. Mantenha o necessário, somente o necessário.

Você não precisa ser extremamente minimalista, ao ponto de ter somente o absolutamente necessário. Há espaço para certo supérfluo não prejudicial na vida de todos nós (apenas não se apegue a ele). Mas procure manter somente o que vale mesmo a pena, os CDs e DVDs que valem à pena, os livros que valem à pena, as amizades que valem a pena, as lembranças e sentimentos que valem à pena, e assim por diante…

Lembre-se de manter os bons pensamentos, os bons sentimentos, as boas atitudes e o esforço para conquistar o direito de realizar seus sonhos!

É preciso manter a fé, a esperança, a autoestima, o amor e a certeza de que tudo pode e deve melhorar!

3 – Concentre-se em tornar as coisas mais simples.

A disciplina é difícil de implantar num primeiro momento, mas conquistada, torna a vida muito mais simples e produtiva. Com disciplina, tempo e dedicação você encontra os recursos e caminhos para fazer tudo o que deseja e aprende a fazê-lo de uma forma que lhe traga muito prazer e alegria.

Simplifique os relacionamentos, espere um pouco menos das pessoas, não estabeleça expectativas muito elevadas. Cada pessoa possui uma forma de ser e um tempo para poder avançar e alcançar novos estágios de relacionamento, compreensão e atitude. Seja gentil com as dificuldades dos outros, encontre justificativas para as dificuldades deles com a mesma disposição e criatividade que encontra para a suas!

Você tem um colega de trabalho ou escola difícil? Simplifique as coisas, diminua as rotas de colisão. Procure entender e fazer-se entender através de um diálogo leve sem o peso e o perigo do nervosismo, da irritação e do preconceito. É possível discordar sem discussão, não participar sem agredir.

Torne as coisas mais simples, vale muito à pena!

4 – Amar sua família não significa ter os mesmos valores que ela

Dedique-se a amar a sua família, não existe acaso no mundo. Por mais que em alguns momentos possa não parecer, esta é a melhor família para você e, um dia, no futuro, você compreenderá isso. O parentesco é consanguíneo, isso não implica que as afinidades emocionais, afetivas, espirituais e de personalidade sempre estejam presentes. Amar sua família não significa que você ou eles possuem o modelo certo, não significa que precisam ser idênticos, significa que possuem uma história em comum, que pode ser melhor ou pior, agradável ou não, dependendo das escolhas que fizerem.

Escolha ser e fazer feliz. Mantenha sua identidade, defenda o que você acredita, mas aprenda a fazê-lo sempre pelos melhores e mais suaves caminhos. A utilização da força, seja em argumentos mais contundentes, seja em atitudes mais duras, deve ser sempre o último recurso.

5 – O mundo que você deseja depende de você

A imensa maioria das pessoas manifesta que não vive no mundo que deseja; que o mundo ao qual elas pertencem é muito diferente daquilo que esperavam e lhes causa muita decepção e sofrimento. Muitas pessoas dizem que quanto mais o tempo passa, maiores são as suas decepções. Bem, se quanto mais o tempo passa, mais você se desilude e decepciona – isso prova que você passou este tempo todo se iludindo e criando falsas expectativas com relação ao mundo.

Para corrigir isso, precisamos corrigir nossa maneira de olhar o mundo.

Como diz um antigo koan japonês (trecho sugerido pelos monges para meditação): “Se seu cabelo está ensebado, não adianta limpar o espelho!”

Nossas percepções do mundo ao nosso redor são profundamente influenciadas e criadas por nossas percepções do nosso mundo interior. Se quisermos um mundo melhor aqui fora precisaremos reformar o mundo que trazemos no nosso íntimo. Vale o maravilhoso conselho do Mahatma Ghandi: “Seja a mudança que você quer ver no mundo!”

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Diante da maldade

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A realidade supera as mais criativas formas de ficção. Nenhum vilão criado até hoje pela indústria cinematográfica pode superar as maldades cotidianas cometidas por pessoas que podem estar muito próximas a nós.

Por entendermos que a essência do Homem é boa, distraímo-nos acreditando que todas as pessoas agem baseadas na bondade. Não é sempre assim.

É fato que existem mentes perigosas, dispostas a destruir pelo prazer de destruir; ardilosas, inteligentes e completamente desvinculadas da lógica, da racionalidade, da moral e da ética.

Estas pessoas estão conosco nas ruas e no trabalho, no lar e no encontro casual em um shopping center. Elas procuram “vítimas” e, frequentemente, as encontram entre as pessoas mais frágeis, bondosas e afetivas. Elas têm predileção por pessoas que demonstram lacunas emocionais doloridas – pessoas fragilizadas que acreditam em tudo o que possa parecer uma possibilidade de curá-las destas dores.

Nos tempos de Jesus, já se falava daqueles que devoravam a casa das viúvas, aproveitando-se de sua solidão e carência. As coisas não mudaram, apenas sofisticaram.

Sim, há pessoas destituídas de sentimentos de compaixão, amor e empatia. E elas, por aparente ironia, são as que mais acusam as outras pessoas de serem assim. O disfarce perfeito: a mãe que não age como mãe, mas finge preocupar-se ilimitadamente com os filhos; o pai que não age como pai, não protege, não provê, não se envolve, mas chora de saudade dos filhos para os quais nunca liga ou visita; a irmã invejosa da beleza da mais nova que chantageia a mãe para tornar a outra “borralheira”; a terapeuta sexual, que sequer estuda o assunto, mas é excelente para palpitar na vida dos outros com ares de especialista, enquanto em casa possui vida íntima destruída e dedica-se a prejudicar pessoas e afastar amizades que favoreçam o crescimento do marido, que quer cativo.

Há milhares de pessoas que espancam com as mãos, outras com palavras, chefes tiranos, negociantes gananciosos e uma categoria sem fim de vilões cotidianos com os quais cruzamos nas esquinas de nossas vidas. Isso quando não passamos a dividi-las com eles.

Há quem defenda que os vilões são apaixonantes, ao menos para o delírio dos que lhes querem servir de vítimas.

O fato é que podemos estar tomando café da manhã com o inimigo, dormindo com a inimiga, trabalhando lado a lado com o traidor e até mesmo, nos tornarmos vilões de nós mesmos – sabotando nossa própria felicidade e agindo com crueldade com relação a nossa própria vida.

Há muita maldade no mundo e a maldade é ausência de amor. Todo aquele que não ama e não recebe amor corre grave perigo. Trate o mal com o bem, amando o próximo, especialmente o mais próximo, mas cuidado para não levar o inimigo para dentro de casa e de não confundir inimigos com amigos.

A patologia da maldade é perigosa, desestruturante e de consequências imprevisíveis. Se fizéssemos uma pesquisa nos manicômios sobre as origens que conduziram pessoas antes consideradas normais até aquele estado encontraríamos o egoísmo, a vaidade, o orgulho e o prazer em provocar deliberadamente a dor, na base da imensa maioria dos fenômenos a que convencionamos chamar loucura.

Todo vilão é um “louco” em potencial, com incrível capacidade de tornar-se um “louco” realizado!

Não desacredite da humanidade, tampouco ande por aí de maneira desavisada convidando vilões para jantar. Na vida real, a despeito da novela, poderá não haver ninguém da produção para salvá-lo das consequências, nenhum diretor para dizer: – “Corta!”

Vilões de verdade não param, não desistem e não obedecem a direção alguma. Estão doentes, precisam de ajuda. Se quiser ajudá-los, não se torne uma vítima, vítimas nem sempre têm uma segunda chance! Mesmo que seja para ajudar…

Os bons sofrem demais porque esquecem que também é bondade denunciar e não aceitar a maldade. Ser conivente com a vilania é uma maneira de se aproximar da aquisição de seus hábitos. Saia deste âmbito de ação. Neutralize as possibilidades de que apliquem vilania à sua vida.

Se você consentir ser prisioneiro ou refém de algo ou alguém, não faltarão candidatos à vaga de vilões e sequestradores do seu destino.

A realidade supera, em muito, à ficção. Fique alerta, troque de canal, vire a página, abandone a história, esqueça a personagem…

Liberte-se!

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

As aparências não enganam

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Na vida, não são as aparências que enganam, como pensa o senso comum. O que nos engana é o fato de não olharmos atentamente para as pessoas e situações com as quais nos envolvemos; o fato de generalizarmos nossas conclusões e a dificuldade que temos em assumir que nossas decisões e julgamentos estão equivocados.

Prestamos menos atenção nas coisas do que deveríamos. Nosso desejo de que as coisas sejam como gostaríamos que fossem nos apressa em nossas conclusões, por isso nos enganamos.

Encontramos alguém que demonstra não possuir os defeitos que a pessoa anterior possuía, e… Pronto! Já concluímos que encontramos a pessoa que estávamos buscando, afinal, esta não possui o que nos incomodava na outra.

Ora, o fato de alguém não demonstrar determinados defeitos não significa que não os possua. Ela pode estar se “policiando” para não os deixar transparecer, pode ser que a situação para que eles se manifestem ainda não ocorreu, ou ela pode, de fato, não possuir estes defeitos. Mas e quanto aos outros defeitos que possuirá, seriam mais ou menos graves do que aqueles dos quais estávamos fugindo?

Não encontraremos pessoas sem defeitos. Mas, o fato dela não possuir os defeitos que a pessoa anterior possuía, não pode, por si só, nos levar a concluir que encontramos a pessoa ideal. Não foram as aparências que nos enganaram, fomos nós mesmos, precipitados “em preencher a vaga”.

Outra questão que causa ilusões reside em nosso hábito de generalizar as coisas.

Muitas vezes, uma pessoa que te ama e respeita mais que a anterior, pode ser mais tímida e reservada em suas demonstrações. O fato de alguém te dar todas as provas de amor não significa que ela te ama, e o fato de outra, não dar tantas demonstrações assim, não significa que não te ame. Pessoas diferentes agem de maneira diferente. De novo, não são as aparências que nos enganam, mas o fato de generalizarmos que quem ama deve agir da maneira que imaginamos ser a correta e de que, na ausência destas atitudes, a pessoa não nos ame…

Você conhece as suas atitudes quando ama, não as do outro. Talvez o idioma sentimental do outro seja tão diferente que vocês precisarão de um tempo para aprender a traduzir um ao outro.

Há amores “melosos e grudentos”, que terminam com a primeira trovoada, e outros que, aparentemente mais distantes, resistem ás mais difíceis tempestades. Há pessoas que dizem que dariam a vida por você, mas em uma situação real, fugiriam à primeira dificuldade. E há outras que nunca te prometeram nada, mas suportariam as dores mais profundas em nome deste amor.

Outra situação que engana mais que as aparências é o fato de que, quando percebemos que escolhemos mal e não prestamos a devida atenção antes de decidir, começamos a encontrar justificativas e distrações para não enfrentar a realidade. Para fugir da dor de admitir que fomos tolos, vamos tentando fazer a ilusão virar realidade, até o ponto onde ela se transforma em pesadelo. Aí, exatamente aí, diremos: as aparências enganam!

Não são as aparências que enganam. Somos nós que nos enganamos porque não queremos olhar para as coisas como elas realmente são. Preferimos nos enganar enquanto for possível.

Perceber o quanto somos ingênuos e irresponsáveis em tantos momentos da vida fere nossa inteligência, nosso orgulho e vaidade.

Para escapar mais uma vez desta realidade, colocamos a culpa nas aparências – são elas que nos enganam, fulano nos enganou…

Melhor aceitar a realidade: nós nos enganamos. A fantasia parece sempre mais convidativa que a realidade, mas seu preço é sempre mais alto!

Para enganar-se menos, dedique mais atenção, não julgue o todo pela parte e assuma seus erros de avaliação.

Os que choram não são sempre os mais tristes. Os que riem não são sempre os mais felizes. Os que mais falam em Deus não sempre os que O tem mais no coração. E muitas vezes, quem te ama em silêncio é mais efetivo que aquele que te manda flores todas as manhãs…

Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Amizade

amizade

“A verdadeira amizade é um caminho de mão dupla. Quando o sorriso de seus amigos lhe fizer duplamente feliz, quando a vitória do seu amigo é a sua própria vitória, aí você saberá que tornou-se um amigo de verdade.”

A palavra amigo deriva do latim amicus, com o significado de preferido, amado. De fato, a palavra amigo deriva do verbo latino amare, em português, amar.

Amizade, portanto, é uma forma de amor. Um amor sincero, leal, transparente e incondicional.

A amizade é, depois do amor materno, a mais bela expressão do amor incondicional.

Claro que estou falando da amizade verdadeira, desta amizade que é um tipo verdadeiro de amor não erótico e desvinculado de qualquer necessidade de parentesco.

Não que amizade e erotismo não possam conviver juntos, mas quando desejos de ordem sexual entram em jogo, deixamos a esfera da amizade e entramos nos domínios da atração, da paixão e, não raro, do amor.

Nem todas as pessoas que chamamos de amigos vivem uma amizade conosco. Temos mais conhecidos e colegas que amigos. Sendo uma forma de amor, a amizade verdadeira é tão rara quanto o amor verdadeiro, mas existe!

Amigo de verdade não é aquele que diz o que você quer ouvir. Amigo de verdade é aquele que diz o que você precisa ouvir! Ele arrisca a amizade pelo seu bem. Aquilo que você quer ouvir, seus inimigos estão prontos para lhe dizer a qualquer instante, especialmente se isso for incitar a sua vaidade e encaminhá-lo mais rápido para as armadilhas destinadas aos egos inflados.

Um amigo de verdade arrisca a própria amizade em nome da sincera tentativa de lhe fazer enxergar a verdade. Ele pode lhe dizer coisas que doam profundamente e que lhe façam ter a reação infantil e ingrata de romper a amizade com ele, mas mesmo assim ele diz o que precisa ser dito.

Como seres humanos incoerentes que somos, preferimos pessoas que nos digam doces mentiras a nosso respeito e sobre nossa vida, e não pessoas transparentes e corajosas o suficiente para apontarem nossas ilusões e defeitos. Reconhece-se um amigo por sua coragem em dizer-nos o que precisa ser dito, mesmo sabendo que poderá receber ingratidão, raiva e rompimento da amizade como “pagamento” por sua sinceridade.

Não pense que amigo é somente aquele que lhe oferece o ombro na hora em que você mais precisa. Muitas pessoas são ótimas “amigas” quando você está por baixo. Consolar pessoas as fazem sentir-se importantes. Mas esses mesmos “amigos” talvez não tolerem o seu sucesso e seus momentos de felicidade, sentindo-se inferiores e questionando o seu direito a ser feliz.

Amigo de verdade não é somente quem te consola quando você chora, mas quem se alegra ao ver você sorrir!

Amigos que só estão com você para usufruir de benefícios e outras amizades que você possui não são amigos, são pessoas interesseiras e calculistas. Se você possui qualquer vantagem, observe se as pessoas a quem você chama de amigos não estão a seu lado apenas por causa dessa vantagem. Elas estão com você por você e apenas por você? Ou estão com você por quem você é, por quem você conhece, pelo que você sabe, ou pelo que você possui?

Amizade verdadeira possui um interesse interessado e não interesseiro. Um amigo de verdade está interessado em te ver feliz e não age de maneira interesseira buscando ser feliz através de você.

Um amigo multiplica os seus momentos felizes, diminui seus momentos de dor, adiciona força e inspiração no seu caminho e divide as coisas com tamanha alegria que te faz ter a certeza de jamais estar sozinho.

Duas situações simultâneas fazem você conhecer os seus verdadeiros amigos: quando você mais precisa e nada tem a oferecer em reciprocidade.

O verdadeiro amigo possui a capacidade de ver através de você, ele te conhece profundamente, e continua apreciando a sua presença, seja qual for o saldo entre suas virtudes e defeitos.

A única solidão real que existe no mundo é a ausência de uma amizade verdadeira. Um verdadeiro amigo fará por você o que nenhuma outra pessoa, mesmo os familiares farão, porque os laços da verdadeira amizade costumam ser mais fortes que os laços sanguíneos. Se você estranhou esta frase, deve estar vivendo uma das situações: ou possui familiares que vão muito além dos laços sanguíneos, amando-o verdadeiramente e sendo seus amigos, ou ainda não encontrou a verdadeira amizade.

Se alguém da sua família, além de ser seu parente é também seu amigo, então você conhecerá o verdadeiro sentido da palavra irmão e entenderá o que toda família deveria ser. As melhores mães são aquelas que, sem abandonar o posto de mães, são também amigas. Os melhores pais seguem a mesma regra assim como os melhores irmãos, primos e tios. São pessoas tão amigas, que, por vezes, até esquecem que existem laços sanguíneos, já que os laços do espírito são incrivelmente mais fortes. O parentesco é uma consequência, a amizade uma conquista.

Importante notar que essas amizades verdadeiras, algumas vezes são pressentidas no momento em que conhecemos a pessoa, mas como as melhores árvores frutíferas, oferecerão os melhores frutos na maturidade. Amizade é um processo que se constrói, fortifica e solidifica através do tempo.

O cristianismo convida a amar aos inimigos e, sem dúvida, é nobre o coração que não manifesta ódio aos que se apresentam como inimigos, mas por razões de bom senso, na vida prática é melhor considerar a frase desta maneira: Amai os vossos inimigos, mas não os confunda com amigos.

Falso amigo

Um falso amigo é muito mais perigoso que um inimigo declarado. A falsidade e a hipocrisia são as armas mais sórdidas utilizadas por pessoas que não respeitam o seu ser e que pretendem usar você em benefício próprio. Não confunda inimigos com amigos, isso põe em risco a sua vida.

Não se entristeça se você possui poucos amigos verdadeiros. Amizade se mede em qualidade e não em quantidade. Dedique-se a ser um amigo verdadeiro das pessoas à sua volta. A arte de fazer amigos verdadeiros depende de aprender a ser amigo de verdade. A verdadeira amizade é um caminho de mão dupla.

Quando o sorriso de seus amigos lhe fizer duplamente feliz, quando a vitória do seu amigo é a sua própria vitória, aí você saberá que tornou-se um amigo de verdade.

Com amigos de verdade você jamais será destruído, porque parte da sua força e do seu tesouro estarão sempre guardados em lugar seguro: no coração dos seus amigos.

A amizade é a maior prova de que você acredita na vida. E mesmo que um dia, abatido por circunstâncias inesperadas, sua crença na vida fique abalada, uma mão virá em sua direção acompanhada de um sorriso: seus amigos não deixaram de acreditar em você.
Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, Revolucione Seus Negócios e do lançamento Atitudes Empreendedoras. Referência nacional em desenvolvimento humano.

Ser feliz ou ter razão?

ser feliz ou ter razao

Oito da noite. Avenida movimentada. Chuva forte.
O casal já está atrasado para jantar na casa de uns amigos.
O endereço é novo e ela consultou no mapa antes de sair.
Ele conduz o carro.
Ela orienta e pede para que vire, na próxima rua, à esquerda.
Mas ele tem certeza de que é à direita.
Discutem.
Percebendo que além de atrasados, poderiam ficar mal-humorados, ela deixa que ele decida.
Ele vira à direita e percebe, então, que estava errado.
Embora com dificuldade, admite que insistiu no caminho errado, enquanto faz o retorno.
Ela sorri e diz que não há nenhum problema se chegarem alguns minutos atrasados.
Mas ele ainda quer saber:
- “Se tinha tanta certeza de que eu estava indo pelo caminho errado, devia ter insistido comigo um pouco mais…”

E ela diz:
- “Entre ter razão e ser feliz, prefiro ser feliz.”
E completa:
- “Querido, estávamos à beira de uma discussão, se eu insistisse mais, teríamos estragado a noite!”

Moral da história:
Esse fato foi contado por uma empresária, durante uma palestra sobre simplicidade no trabalho.
Ela usou a cena para ilustrar quanta energia nós gastamos apenas para demonstrar que temos razão, independentemente, de tê-la ou não.
Diante disso, me pergunto: “O que é melhor? Ser feliz ou ter razão?’
E lembrei de um outro pensamento parecido, diz o seguinte:
“Nunca se justifique. Os amigos não precisam e os inimigos não acreditam.”

Coloquei esta breve história no blog para que todos possamos refletir sobre este precioso ensinamento que ela nos traz.
Um grande abraço.
Paz e Alegria
Carlos Hilsdorf