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Artigos

Por que suas ideias não são aceitas?

A maioria das pessoas acredita que tem boas ideias, e tem mesmo! Não falo daquelas ideias que possuem um rasgo de genialidade, estas são mais raras, mas falo de boas ideias, ideias que agregam valor de fato.

Vale ressaltar que ter boas ideias é uma coisa bem diferente de ter boas ideias quando se precisa delas. Isto de desenvolver boas ideias sob medida e de acordo com a demanda é um exercício, consiste no desenvolvimento de uma competência. Competência, aliás, que muito beneficia a vida e a carreira de seus possuidores.

O fato é que a maioria das pessoas tem boas ideias, destas que agregam valor, mas poucas destas ideias chegam a se materializar para o bem de todos. Por quê?

Há muitas razões para isso, vejamos algumas.

Uma primeira e alarmante razão é que as pessoas (mesmo seus superiores) muitas vezes não entendem, de fato, do que estão fazendo e sobre o que estão falando. Existe muita representação no ambiente corporativo, espécies de atores corporativos que fingem saber o que em verdade ignoram.

Esta distorção vem do nosso processo educacional. Pesquisas recentes feitas pelos maiores especialistas nas questões cognitivas revelaram que:

Quando um aluno universitário, por exemplo, tenta explicar um fato novo com base em uma teoria já estudada, enfrenta uma enorme dificuldade. Ele está muito mais familiarizado com os exemplos que estudou do que com a realidade própria. O mais alarmante foi que estes experts constataram que a imensa maioria destes alunos oferecem respostas incrivelmente semelhantes a outros alunos que nunca estudaram a disciplina proposta! Frequentemente eles oferecem respostas monocausais e simplistas!

Isto prova uma deficiência crônica do nosso processo de educação, seu fracasso na formação de senso crítico, capacidade de julgamento criterioso da realidade objetiva.

Por isso não se assuste se uma boa ideia, daquelas embasadas, conceitualmente corretas e dotadas de extremo bom senso, não estiver sendo ouvida e entendida. Há muito mais pessoas despreparadas para ouvir uma boa ideia do que você imagina!
As demais causas são mais evidentes por isso comentarei brevemente.

segunda consiste no comportamento medíocre de alguns de não deixar que as boas ideias dos outros apareçam. Assim pessoas que têm o poder de levar a sua ideia adiante, não o fazem porque a ideia não é delas ou não poderão se beneficiar ao menos parcialmente de sua autoria. Para manter você ''low profile'', estas pessoas impedem suas ideias de caminharem dentro da organização.

terceira é a tendência em evitar a implantação de mudanças. Claro que todos sabem que a mudança é a tônica da vida (inclusive corporativa), mas ai vem a famosa barreira ''no meu departamento não!''

As pessoas são a favor da mudança sempre que esta não envolva muito esforço para ser implantada (mesmo quando os benefícios são evidentes) e não obrigue a uma reestruturação da sua zona de conforto. Assim uma ótima ideia é ''apagada'' antes que gere esta o­nda de ações cujo efeito cascata significa: trabalho extra.

quarta requer atenção. O fato de você estar apresentando uma boa ideia, não necessariamente, significa que você está apresentando bem a uma boa ideia. Se a sua ideia for incrível, mas, você não tiver a arte de apresentá-la bem, com impacto e persuasão, você corre o risco de que ninguém te leve a sério e não perceba o valor da ideia. Muitas ideias não são ouvidas porque falhamos ao apresentá-las!
 
Sempre que uma boa ideia não estiver sendo aceita lembre-se de checar as causas anteriores e guarde esta preciosa citação:
''Toda verdade passa por três etapas: primeiro é ridicularizada, depois é violentamente antagonizada e, por último, é aceita universalmente como auto-evidente''.
(Arthur Schopenhauer, O mundo como vontade e representação)
 
Carlos Hilsdorf
Economista, pós-graduado em Marketing pela FGV, consultor e pesquisador do comportamento humano. Considerado um dos melhores palestrantes do Brasil na atualidade. Palestrante dos Congressos Mundiais de Administração (Alemanha e Itália) e do Fórum Internacional de Administração (México). Autor dos best sellers Atitudes Vencedoras, apontado como uma das 5 melhores obras do gênero, 51 Atitudes Essenciais para Vencer na Vida e na Carreira, e Revolucione Seus Negócios. Referência nacional em desenvolvimento humano.

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